Então vocês não gostam do meu lado polyanna, né?
Tudo bem, o azedume vai voltar em breve. E vocês todos vão se arrepender de ter nascido!
Mas não hoje.
Hoje vou falar dos substantivos próprios.
Quando prestei a prova da EAD, uma garota que prestava a mesma prova perguntou meu nome:
-James!
-Nossa, bem que o Nelson Rodrigues dizia que cada um é exatamente o nome que tem.
Não sei o quê “exatamente” ela quis dizer com isso, mas enfim, não é de todo verdade.
Vejam o caso dos Rodrigos, por exemplo. A impressão que eu tenho é que nascer Rodrigo seria uma espécie de sina. São todos condenados à notoriedade. Os Rodrigos que eu conheço, pelo menos, não são pessoas comuns nem de longe.
De comum só têm o nome mesmo, que, aliás, é mais comum que já foi um dia a pasta de dentes Kolynos...
Obviamente que o destino se encarrega de pregar-lhes peças. O Rodrigo Moraes e o Rodrigo Manzano que o digam. Dois Tipos excepcionais na mesma sala. Completamente diferentes, à exceção do nome e da notoriedade. Tiveram que assumir o sobrenome, afinal, como eles agüentariam ter alguém tão expressivo quanto eles carregando o mesmo nome?
O, também Rodrigo, Grota, como não era da mesma sala, mas da mesma turma (97), não perdeu tempo e resolveu que se o problema era sobrenome ele também tinha um. E o melhor de tudo: não começava com a letra M!
O Léo, que é, na verdade, Leonardo Rodrigo, matou o nome no berço, e de seu rótulo original conserva apenas a contração que inicia essa frase.
Já os Rodrigos curitibanos acharam esse lance de sobrenome muito óbvio. Decidiram usar alcunhas: um deles assina como “Digão” (um infantilizado Rodrigão) enquanto o Bastardo é também Groo e pouco conserva de sua rodriguisse.
Ainda tem o Rodrigo Bernardo, de São Paulo, que de Rodrigo conserva apenas o Rô e de personalidade alterna entre Dr. Jekyll e Mr. Hide.
Tivesse Oscar Wilde nascido brasileiro e nosso contemporâneo, jamais teria escrito “The Importance of Being Earnest”, mas sim “A Importância de Ser Rodrigo”!
Isn't it, Oscar?
Apesar dessas querelas, mais vale ser Rodrigo do que ter nome duplo e assinar: Alyson Aurélio, Allyson Clayton (meu irmão), Rogério Fabiano, Patrícia Renata, Carlos Emanoel, Jefferson André (meu primo), Eloir Carlos ou mesmo James Franklin.
Essa já é outra sina: a dos nomes duplos! Não bastasse a primazia de nossos pais em escolher essas belas nomenclaturas, e a inutilidade do segundo nome - exceto que você se chame Ana Paula, Maria Rita ou Roberto Carlos - ainda temos o prazer de encontrar aqueles que gostam de tirar um sarrinho, como a minha chefe que se diverte me chamando de JAMES HENRIQUE ou, pior, JAMES FRANCISCO!
Comments