Lembrei-me de uma idiossincrasia paulistana acerca do espaço verde (ou da falta dele) na cidade.
Por exemplo, aqui, qualquer coisa é praça. Um canteiro de dois por dois em uma bifurcação qualquer, tem lá uma plaquinha: Praça Fulano de Tal que Foi Quatrocentão.
Uma rotatoriazinha sem-vergonha, com no máximo dez metros de diâmetro, vira lá praça ou largo sei lá das quantas.
Mais engraçado mesmo é a estação de metrô Praça da Árvore.
"Fiquei bege"* quando passei pela referida "praça". Na verdade, só tem a árvore lá. Espremida em um canteirinho ridículo, com o duto de ventilação do metrô por trás e um ponto de táxi.
Toda vez que o condutor fala "próxima estação, praça da Árvore", dá vontade de ir lá e corrigir. "Próxima estação, que um dia teve um praça e que hoje só tem uma árvore."
Parece uma propaganda com a Fernanda Montenegro sobre a preservação da cultura, eu acho, que passava algumas décadas atrás, que falava: "cadê a praça, não tem mais praça, acabaram com a praça"...
Aí você sai para andar na cidade de Higienópolis e, lá sim, tem uma praça, chamada Buenos Aires, que promoveram a parque.
Uma quadra fuleira, em plena avenida Angélica, e chamam de parque.
O Ibirapuera deveria já ter deixado de ser chamado de parque para se tornar uma área de preservação ambiental...
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*Ficar bege significa ficar perplexo (a) com alguma situação, coisa ou pessoa.